26/05/2022 +55 (92) 98403-5522

SERVIR E PROTEGER Cel. Alexandre Ofranti Ramalho

Olhar Especial

OS IMPACTOS DA PANDEMIA NA EDUCAÇÃO E SEUS EFEITOS COLATERAIS NA SEGURANÇA PÚBLICA - Artigo do Coronel Alexandre Ofranti Ramalho

Por Portal do Dan 03/08/2021 às 20:47:05

Estatísticas anuais sobre dados criminais são ferramentas importantíssimas para visitar o planejamento estratégico da segurança pública, corrigir distorções e de fato implantar políticas públicas que entreguem qualidade de vida aos brasileiros.

Em situação normal é comum que informações destoantes recebam críticas e severas cobranças sejam feitas ao Poder Público. Já em situações anormais, como foi o ano de 2020 e está sendo o ano de 2021, por conta da pandemia do COVID 19, é preciso cautela antes de levantar o dedo da acusação e a voz do julgamento.

A insegurança e o medo de contrair o vírus retirou crianças das escolas, desestruturou famílias, elevou o índice de desemprego, diminuiu a renda familiar, aumentou a pobreza, diminuiu os efetivos das forças de segurança pública e ainda exigiu que esses profissionais se desdobrassem para o cumprimento de novas tarefas, que incluíram a implantação de barreiras sanitárias e as diversas fiscalizações, em horários alternados, no cumprimento de decretos restritivos.

Óbvio que todos esses dados influenciaram e impactaram as metas e desafios estratégicos estabelecidos em 2019 para a segurança pública, com alcance a curto, médio e longo prazo. Entretanto, o afastamento das crianças e adolescentes do mundo escolar representa uma ruptura profunda nos alicerces democráticos da oportunidade. É uma total desarticulação da sociedade moderna.

O estudo "Cenário da Exclusão Escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Educação", lançado pelo UNICEF, em parceria com o Cenpec Educação, revela que o Brasil corre o risco de regredir duas décadas no acesso de crianças e adolescentes à escola.

A pesquisa aponta que em novembro de 2020 cinco milhões de crianças ficaram afastadas das escolas, dessas 41% tinham de 6 a 10 anos de idade; 27,8% tinham de 11 a 14 anos; e 31,2% tinham de 15 a 17 anos – faixa etária que era a mais excluída antes da pandemia.

Perder o vínculo com a escola nesta fase da vida, dentre tantos reflexos negativos, também é abrir a possibilidade ao ingresso nas atividades criminosas, principalmente aquelas conexas com o tráfico de entorpecentes e os homicídios.

O último Anuário de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao analisar dados de 2019 apontou que jovens de 15 a 29 anos representam 13,6 % do total das vítimas de mortes violentas intencionais no Brasil.

O mesmo estudo destacou que quase metade das vítimas das mortes violentas intencionais, 45,1 %, não possuía ensino Fundamental completo. Do restante 40,9 % possuía apenas o Fundamental completo ou Médio incompleto.

Esses alarmantes dados são muito semelhantes, quando a análise é feita entre quem mata e quem morre, enfatizando que os confrontos armados, que elevam os números dos homicídios, protagonizados pela rivalidade do tráfico de entorpecentes, de fato, permeiam estas faixas etárias, bem como tem correspondência direta com o nível educacional apontado.

Assim como outros setores, a boa Educação é fator preponderante de sucesso nos resultados da segurança pública, simplesmente porque abre novas perspectivas de crescimento pessoal.

Nelson Mandela afirmou: "A educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande nação.

Segurança Pública caminha lado a lado com a Educação.


Autor: Coronel Alexandre Ofranti Ramalho


Comentários